O Vilarejo

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Há tempos eu queria ler algo do Raphael Montes; me chama atenção o fato de ele ser um escritor tão jovem e de sucesso. Terminei de ler o “O Vilarejo”, seu mais recente livro, e fiquei meio dividida: gostei da essência da trama e dos temas, mas achei a narrativa fraca e pouco desenvolvida. Preciso ler mais algum livro dele para tirar esse impressão (ou confirmá-la). O fato é que esse livro, apesar do gênero, é bem tranquilo… são tão poucas páginas que passam correndo aos olhos. Quando você percebe, já terminou.

O livro se inicia com um narrador-personagem, que conta como recebeu um manuscrito com sete histórias trágicas, relacionadas à sete demônios (e aos setes pecados) – todas os contos são ambientados em um mesmo lugar: um vilarejo onde os moradores, cercados de neve e famintos, cometem atos asquerosos… Alguns em prol da sobrevivência, outros por vingança, por amor ou por ódio, o fato é que existe em todos eles, uma “sementinha do mal”.  

No livro existe uma mistura de tudo o que a gente já viu em filmes de terror ou leu em livros de suspense: assassinato, estupro, canibalismo…. Mas não há aquele choque, ou repulsa (talvez, apenas no primeiro conto). O autor tratou as tramas com tanta rapidez e as ambientou tão superficialmente que não deu tempo de se envolver, de mergulhar na história. Uma pena, porque ele escreve muito bem. O livro me remeteu a dois filmes: A Vila e Dogville.

Sou boba mesmo, é daí?

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Entrei em crise outro dia porque num de seus discursos, minha avó me chamou de “boba”, disse que eu faço coisas boas para pessoas que não merecem. Fui criada em uma família que, independente a situação: o importante é sair por cima. Não que não sejam fraternos, mas quase nenhum dos meus parentes (salvo poucos deles) deixam de tentar levar vantagem em alguma coisa. Digo, nas pequenas coisas. Ninguém quer deixado para trás, eles querem comer o melhor pedaço e de preferência, não pagar por isso. Sei que todos eles tem seus valores e no fundo, são pessoas boas… mas, infelizmente, não possuem esse sentimento de coletividade. Foram corrompidos pelos cotidiano. No fundo, de alguma maneira, acho que estão um pouco certos. Se a gente não se colocar em primeiro lugar, quem vai fazê-lo?

A crise durou algumas horas (e de vez em quando, vai e volta), mas ultimamente tenho tentado me lembrar de uma frase da minha mãe, que nesse âmbito, se parece muito comigo. Ela diz: “Eu sou assim e sigo a minha natureza. Pelo menos, fiz a minha parte”. Eu também penso assim e, agora mais do que nunca. Acho que a vida possui mistérios grandiosos demais para o nosso entendimento, acredito em espiritualidade e acima de tudo, bondade. É claro que não devemos ser tapados, não é que tenhamos que permitir que nos passem para trás. Mas, cara….se ser honesto é ser bobo, se ser sincero e carinhoso é ser bobo, se nutrir amizades verdadeiras é ser bobo, se não tentar levar vantagem é ser bobo…Então, que bom! Eu sou boba, minha mãe também e, graças a Deus, temos a consciência limpa e um coração afetuoso.