Mês: Outubro 2014
Adeus, Violeta.
Sempre gostei de tragédias de carnaval, para mim são as mais bonitas, como a de Orfeu e Eurídice. Violeta se foi em dia de eleição, dia em que toda a população brasileira parou para votar. As ruas cheias de papel, muito barulho, foguetes, música, família reunida e até um clima de festa… algo metaforicamente parecido com o carnaval. Violeta chegou aqui no dia oito de outubro, aniversário de Maria Luiza. Ela chegou em dia de festa e se foi em dia de festa… hoje minha alma está em clima de quarta-feira de cinzas.
Um amor assim, como o qual eu senti (e sinto) por ela, não pode ter sido em vão. Desde que Violeta chegou, eu passei a reparar nos cachorros de rua, em pensar se tinham comida ou uma caminha para dormir. Se pudesse, pegava todos e levava para casa. Foi ela a responsável por essa mudança, Violeta fez de mim uma pessoa mais humana.
Observando Violeta, com aquele corpinho, com aquele olhinhos tão pequenos e aqueles ossinhos tão quebráveis… pela primeira vez me senti responsável por alguém. Eu era mais forte, era a minha obrigação protege-la.
Obrigação não, prazer.
Ela era a minha companheira, trocávamos olhares, sinais.Ela não reclamava quando eu colocava Daniela Romo para dançar, ela amava chinelos. Com Violeta o barulho das chaves ganharam outro sentido, as chuchinhas e as madrugadas também. Todas as noites ela vinha para o meu quarto, eu precisava iluminar o caminho para que ela conseguisse chegar até a minha cama. E logo ela se enrolava nas cobertas, encostava o pescoço nos meus pés, dormia (e me esquentava).
Com Violeta o silêncio acabou, a solidão também. Falar nela, no passado, é algo difícil, tortuoso, doloroso. Assim como foi a sua despedida. Vivi amava a rua, era fascinada. Se deixássemos ficava horas observando da janela. Os passeios, é claro, todos com a coleirinha (deixa-la solta era um perigo. Ela acabaria sendo machucada por outro cachorro. Porque além de tudo, era valente e não tinha noção do seu tamanho).
Meus olhos estão inchados, as lágrimas correm involuntariamente, (são 21:30h) da noite e eu ainda me pergunto: “Por que assim?”, “Por que agora?”, “Por que tão cedo?” “Por que nós?”.
Violeta foi atropelada, morreu no lugar no lugar que sempre quis estar, na rua… Pouco antes ela parou na porta do meu quarto e ficou me observando, sem latir. E eu disse: “O que foi? Vem cá!” E ela se virou e foi embora… Talvez estivesse se despedindo e eu não percebi.
Gosto de pensar assim: de que ela está em um campo verde, lindo, ensolarado, brincando com seu tão amado Mickey de borracha, sem portas, sem coleiras, sem chaves. Gosto de pensar que ela está feliz, correndo (de um lado para o outro, como sempre fazia). Gosto de pensar que ela se sente amada, que está despreocupada (coisa que sempre foi). Gosto de pensar que ela está em paz e que está me esperando…
*Parte desse texto já estava pronto, eu ia publicá-lo no próximo dia doze, dia do seu aniversário…
Violeta,
Leitores Compulsivos
Compra mais livros do que realmente dá conta de ler
Tem ânsia em acabar o livro mais fica chateado quando ele acaba:
Conversa (em voz alta) com o autor:
Quando alguém atrapalha a sua leitura você fica tipo…
Comenta com parentes e amigos (normalmente com entusiasmo) sobre o que acabou de ler:
Encontra uma pessoa que ama o mesmo livro que você ama!
Mesmo cansado tenta ler pelo menos mais uma página:
Quando alguém no ônibus comenta sobre um livro que você já leu…
Lê mais de um livro por vez (às vezes 2, 3, 4…)
Ou alguém pede para você dizer qual é o seu autor favorito…
Esquece de entregar um livro e a biblioteca te suspende por 15 dias…
Lê o mesmo livro várias vezes:
E quando alguém pergunta: “E aí, qual livro YA você prefere?”
Quando alguém te pergunta qual é o final do livro…
Ou quando alguém te conta o fim do livro…

Carrega sempre um livro na bolsa ou na mochila e quando esquece:
E quando alguém pergunta: ‘Eu não sei qual presente devo lhe dar, pode ser um livro?”
Os livros que você comprou em promoção na internet finalmente chegaram e você reage assim:
O seu personagem favorito morre e você fica um pouco chateado:
Ou quando um personagem que você que odeia se deu bem no final…
Você está muito ansioso, tenta pular uns parágrafos para logo chegar no final, mas percebe que não entendeu nada e precisa voltar:
Quando pedem para você doar um livro e você não consegue escolher qual:
ou quando alguém pede aquele seu livro preferido emprestado…
ou quando devolve seu livro em péssimo estado e tem a cara de pau de pedir outro…
Escrever é o que me dá prazer. Desde sempre. E eu não poderia estar mais feliz com a minha profissão, graças a Deus. Recentemente fui convidada a escrever sobre moda – um assunto do qual não estou familiarizada e que, de certa forma, não me desperta interesse. Tenho estudado, visito diariamente sites de comportamento e beleza, que ensinam qual é a melhor forma de se portar e se vestir, que te inspiram e ao mesmo tempo, te moldam.
Ando dividida, essa é a verdade. Depois de tanto ler e estudar, passei a ter a convicção de que o mundo da moda é muito, muito maior as pessoas imaginam (Ou melhor, do que eu imaginava). Existe uma história e um valor atrás das passarelas, daquelas mulheres lindas e magras usando e exibindo roupas caríssimas. Não é só um jogo de influências, é arte… vida. Assim como a literatura, o cinema e o jornalismo, para mim, significam vida.
Ao mesmo tempo, diante de frases e textos tão pitorescos como: “Não use essa roupa se você não estiver em forma” ou “X atriz é o exemplo que você deve seguir”, sinto uma detestável ausência de… como eu poderia chamar? Talvez de, ‘valor humano’. E tenho até vontade de rir daquelas figuras esdrúxulas, luxuosas e famosíssimas que estampam os tabloides. Os ricos gastam milhões por exclusividade, os famosos se popularizam e enriquecem ao reproduzir e fortalecer uma indústria esteticamente cheia, mas com pouco valor humano.
E nesse redemoinho, no meio da indústria e dos famosos estamos nós: o povo, a massa, os que não tem exclusividade, nem nome, nem espaço, nem identidade. Somos uma mistura, um grito de desejo de ‘ser’ e de ‘querer ter’. Somos e… me desculpem, mas é ridículo… somos aquela menina que trabalha na lanchonete durante 30 enormes e pesarosos dias, para comprar um Louboutin igual ao que a personalidade x usa. Quer dizer que uma atendente de lanchonete não pode ter um Louboutin? Claro que pode, não é disso que eu tô falando, tô falando dessa ânsia que nos cega, que nos faz querer ser e parecer com um modelo, com uma concepção pré-fabricada e inalcançável (e não como nós mesmos….)















