mas é que… quando Juan Gabriel canta…

Juan GabrielNão sou uma pessoa romântica e nunca fui de escutar músicas sobre desilusões amorosas ou paixões proibidas. No entanto, conheci (há alguns anos) uma música do Juan Gabriel que mexeu comigo. Mexeu tanto que não consegui parar de escutar e mesmo depois de tempos, tenho ela no meu celular e sempre  coloco para ouvir no carro.

Eu sei que eu tenho falado muito sobre o México – ultimamente mais do que nunca, mas eu juro que não é tão proposital quanto possa parecer. É que um assunto vai se juntando a outro… Pois é, o Juan Gabriel é um cantor mexicano, famosíssimo lá e conhecido pelo gênero ranchero.

O gênero, na verdade, não é tanto do meu gosto, mas acontece que o Juan tem uma voz deliciosa e o mais importante: compõe letras lindíssimas, pérolas (de verdade, mesmo! é muito lindo o que ele canta)…

Ele sempre usa roupas super coloridas e brilhantes e, enfim… é considerado um dos maiores cantores da América Latina. Eu não sei se ele é considerado “brega” (acho que não), mas se fosse eu também não importaria porque o que ele canta toca lá no fundo.. Eu copiei uma parte das letras das minhas músicas favoritas:

[E eu sei que este post está estranho, mas o intuito era falar das letras das músicas dele, que são lindas, lindas!!!!]

Abrazame que el tiempo pasa
y el nunca perdona
ha hecho estragos en mi gente
como en mi persona
Abrazame que el tiempo es malo
y muy cruel amigo
abrazame que el tiempo es oro
si tu estas conmigo

 

“Por que todo lo pasado
si no es bueno hay que olvidarlo
se muy bien que no es tan facil
pero que le va uno hacer
Imposible de estar siempre
dandole tanta importancia
ya veras que a la distancia
todo queda en el ayer”
 
“Todos con su amor
cada uno de ellos
muy sonrientes muy felices
menos yo
y la soledad
cada vez más triste
y más oscura yo viví
y a esa edad
todos preguntaban los motivos
yo solia siempre decir
yo no nací para amar
nadie nació para mí
tan solo fui
un loco soñador nomás
”
 
 
“Tu eres la tristeza de mis ojos
que lloran en silencio por tu adiós
me miro en el espejo y veo en mi rostro
el tiempo que he sufrido por tu adiós
obligo que te olvido en el pensamiento
pues, siempre estoy pensando en el ayer
prefiero estar dormida que despierta
de tanto que me duele que no estés”

Tudo pode dar certo

Todo_incluidoFico decepcionada quando penso no fato de que filmes, com grande potencial como este, fiquem sem serem vistos por falta de divulgação ou por falta de identificação do público. Talvez, se fosse uma produção americana e com nomes famosos, “All Inclusive” (ou “Todo Incluido” e em português “Tudo por acontecer”) teria um alcance muito maior.

Não sei por que demorei tanto para escrever sobre essa produção… Foi com este filme que tive certeza da minha predileção por Jesus Ochoa e foi exatamente com ele que comecei a me interessar pelo cinema mexicano.  “All Inclusive”, na verdade, é um filme produzido pelo chileno Rodrigo Ortuzar Lynch, apresenta traços da cultura mexicana, mas ilustra uma situação que poderia se passar em qualquer outra família do mundo.

Na trama, Ochoa interpreta Gonzalo, um empresário bem sucedido que leva a família em viagem, com o intuito de revelar que padece de uma doença terminal e que só possui três meses de vida. Apesar de viajarem juntos, os membros estão sentimentalmente separados: Camila, a filha mais velha de Gonzalo, é uma mulher conservadora que está enfrentando uma crise por ter se divorciado. Maca, a filha do meio, é uma garota de vinte e poucos anos que se sente incompreendida pela família e Andrés, o caçula, é um adolescente cheio de dúvidas e hormônios à flor da pele.

all_inclusiveGonzalo e a mulher, Carmen, também apresentam um casamento desgastado e estão, cada vez mais distantes um do outro.  Com a notícia da chegada de um furacão, a família acaba presa no quarto de hotel e, impossibilitados de fugirem dos próprios problemas, se vêem diante da necessidade de enfrentá-los. Mas dessa vez, juntos.

Apesar da trama dramática, o filme é recheado de situações engraçadas, que deixa o desenvolvimento da história mais leve, mais agradável. Lynch acerta em três pontos fundamentais: no roteiro, na trilha sonora e na fotografia. Há quem diga que o filme está repleto de clichês… talvez esteja, mas em nenhum momento fiquei incomodada com a narrativa. Os dramas pessoais dos personagens são densos, provocadores e realísticos: desde Camila que apresenta um interesse sexual por uma funcionária do hotel a Carmen, que conhece um agente turístico e transa com ele, traindo o marido e se arrependendo logo depois.

Gonzalo, por outro lado, tenta viver os últimos momentos da vida em paz com o passado e em sintonia com a família.  Alias, Ochoa, ah! Ochoa!! Como esse homem é incrivelmente talentoso e consegue emocionar e fazer rir com tanta sinceridade e sem ser exagerado… Amo, amo!!

No auge e já perto do fim, sem poder voltar e diante da necessidade de seguir, fechou os olhos e em silêncio, em uma súbita vontade de desistir, pensou nas possibilidades perdidas, nos sonhos destroçados, nos amores não correspondidos. Lembrou da época em que tudo parecia belo, fácil, da época em que as sensações eram fortes, sufocantes, á flor da pele. E sorriu, porque apesar da tristeza pela finitude, sentia-se grata pela intensidade.

Imagemtumblr_mrqecgekIn1r19yg4o2_1280tumblr_mrqecgekIn1r19yg4o3_1280