Como disse na publicação anterior, comecei a assistir “The Walking Dead” há pouquíssimos dias e já estou na quarta temporada. Eu, que morro de medo de zumbis, fiquei apaixonada com a trama e assisti vários episódios em uma frequência absurda. Estou decepcionada com a terceira temporada de American Horror Story e acho que isso me deu brechas pra conhecer outros seriados. Já me falaram muito sobre TWD, tenho amigos apaixonadíssimos que, inclusive, já me emprestaram um livro sobre a produção – e que eu devolvi, sem ao menos ter lido.
Não precisa ir muito longe pra descobrir sobre o que se trata, mas em resumo (bem resumo mesmo), a série conta a história de um grupo de pessoas que sobreviveram a um apocalipse zumbi. Esse grupo, liderado pelo agente policial Rick Grimes, vaga pela cidade em busca de comida e de um lugar seguro onde possam se manter vivos. A quarta temporada está apenas começando, só lançaram cinco episódios até agora e o clima já está tenso.
Há uma dinamicidade muito grande, vários personagens, muita ação e muito, muito sangue. Admiro a maneira que estão conduzindo a série: um cuidado primoroso com o roteiro, com a ambientação, com o figurino e com a maquiagem. Além disso, a série tem uma trilha sonora maravilhosa. O que me encantou em TWD foi essa ausência de perfis maniqueístas (os escritores da Rede Globo deviam aprender isso de uma vez por todas). O que eu quero dizer é que todos os personagens apresentam atitudes contraditórias (mesmo o Rick ou o Governador – que começou bonzinho e hoje é o tão temido vilão).
TWD deu um espaço incrível para o crescimento dos personagens, só de pensar no Carl na primeira temporada e o que ele se tornou na quarta, sinto arrepios. Aos poucos a gente vai se acostumando com a “carnificina” e até se diverte com algumas situações, é admirável o humor negro e a genialidade com que é conduzido. Uma das coisas que me incomodou foi a posição secundária das mulheres que, nas primeiras temporadas, eram as responsáveis por lavar as roupas e fazer a comida, não usavam armas e estavam sempre a mercê das decisões masculinas. Essa situação foi mudando aos poucos e na quarta temporada elas estão muito mais ativas e destemidas.
O argumento da série me remeteu ao livro de José Saramago: “Ensaio sobre a Cegueira” – Os zumbis são a cegueira. Sou apaixonada com esses segmentos que questiona, os valores humanos e as instituições sociais, que analisa a ascensão de líderes e que ironiza o declínio moralidade. Afinal, quem somos nós, longe dos muros que dividem as casas e do ambiente confortável dos nossos quartos? Quem somos nós sem a internet, sem as facilidades da vida moderna? E se as instituições não existissem? O que faríamos sem as escolas, os hospitais, o governo? O que faríamos se não existisse o poder de polícia? Quem seríamos se estivéssemos em um mundo onde a lei principal é: “Viver, matar ou morrer”?
Melissa Mcbride e seus cabelos brancos
Só pra constar, essa publicação era pra ser uma pequena notinha e acabou se tornando um texto deste tamanho. Além do argumento e de todas as coisas que eu disse aí acima, também fiquei interessada por Melissa Mcbride. Eu e meu primo passamos um dia conversando sobre a série e ele não media as palavras ao falar da “Tia Fodona do Cabelo Branco” que tanto amava. Comentei que cheguei a assistir um episódio onde uma mulher grisalha cortava a barriga de um zumbi – naquela época eu não fazia ideia do porque e achei a situação detestável.
Mcbride interpreta Carol Peletier, um dos membros do grupo de Rick Grimes e que, ao longo da trama, sofreu várias transformações. Na primeira temporada, Carol era uma mulher temerosa, que apanhava do marido e que tinha medo de pegar em armas. Sophia, sua filha de doze anos, acaba morrendo drasticamente e Carol se vê obrigada a se tornar uma mulher mais fria, que luta pela sobrevivência do grupo e não mede esforços pra isso. Há quem acredite na possibilidade de uma relação amorosa entre ela e o Daryl (outro personagem que eu AMO!), mas de acordo com os roteiristas, ainda não existe nada planejado para os dois.
A quarta temporada possui diversas figuras femininas, mas ao meu ver, a Carol e a Michonne são as mulheres mais fortes da cadeia. Carol voltou mais forte do que nunca e ainda se envolveu com uma polêmica que a fez ser expulsa do grupo!
Li muitas coisas sobre a Melissa Mcbride e acho engraçado quando a chamam de “vovozinha”. Há quem insista que ela é muito mais velha do que o Norman Reedus, quando na verdade a diferença entre eles é de apenas três anos – Mcbride nasceu em 23 de maio de 1965, portanto tem 48 anos.
Foi isso mesmo que me fez gostar dela, os cabelos curtos e brancos. Acho incrível mulheres que não se importam em seguir os padrões e estão a vontade com a idade. A primeira vez que a vi, logo me lembrei da Jamie Lee Curtis, outra atriz que eu admiro muito. Melissa chegou a dizer em entrevista que se arrependia de não ter pintado os cabelos antes de começar a série, mas justificou o fato de serem curtos, em sua perspectiva o cabelo era uma herança do marido da Carol:
Ela cortou o cabelo, algo que queria fazer há anos, para o papel – uma característica icônica da personagem, cujo cabelo bate pela altura dos ombros na HQ. McBride justifica que, para Carol, o cabelo curto é herança do seu marido abusivo: “Talvez ele tenha cortado-o para fazer com que ela se sentisse menos bonita. Ou talvez ela tenha cortado, para que ele não o puxasse. Esta é minha história em relação a isso.” Para aqueles que se perguntam como os cortes se mantém impecáveis, Robert Kirkman, produtor executivo e criador da HQ na qual a série da AMC é inspirada, brincou: “Há tesouras na prisão”.
É uma pena que a Melissa tenha tão poucos filmes, a maioria dos seus trabalhos foram feitos atrás das telas já que ela foi, por muito anos, diretora de elenco.




























